SIBIU 825

” Passaram-se oitocentos e vinte cinco anos. As velhas torres e bastiões já não têm mais o papel de defensores da cidadela. Atualmente, são símbolos do encanto medieval. Em sua história, a cidade passou por muitos episódios atrozes. E sobreviveu a todos eles. E a cada nova reerguida, a cidade fez-se mais próspera do que antes. Sempre progredindo junto com a história. E, por vezes, colocando-se mesmo à frente dos tempos.  “

ANIMAIS SELVAGENS, NO CAMINHO DAS CRIANÇAS ATÉ O JARDIM DA INFÂNCIA

Florin vem ao jardim de infância uma vez por semana, às vezes uma vez a cada duas semanas. No inverno, falta por várias semanas. Os outros meninos de Ana nunca foram ao jardim da infância. A mulher diz que, mesmo não tendo frequentado o jardim da infância, Ion não ficou atrás dos seus colegas. “Escrevia com uma letra tão bonita, mais bonita que a da professora”. Quando a mãe fala sobre ele, Ioan olha para outro lado. Fica encabulado quando olham para ele. “É difícil para as crianças andarem uma distância assim tão grande”, diz Ana. “E no caminho tem animais selvagens”.

OS MICI DE OBOR

Já vai para mais de dez anos, é quase um ritual: sempre que vamos fazer compras no Mercado Obor (desde que me entendo por gente moro “na boca de Obor”, como se diz), encerramos com uns mici, que são comidos com palitinhos, como manda o regulamento, numa bandejinha de papelão regada com muita mostarda (daquela barata, romena, bem grosseira) e com uma mais que merecida cerveja.

VOCÊ AINDA ESCOLHERIA A CARREIRA DE POLICIAL?

Fala-se que a lei é como uma cancela que consegue barrar apenas os idiotas, enquanto os espertinhos passam por cima ou por baixo dela. Eu não teria conseguido dormir tranquilo sabendo que, depois de multar um aposentado, um trabalhador ou um taxista, deveria deixar em paz alguém que incorrera na mesma infração, mas que era intocável devido à posição que ocupava. Coloquei na minha cabeça que nunca faria uma coisa dessas.

EU TAMBÉM VIVI NO COMUNISMO

Foto: Alfredo Pardon, 1980.Reunimos neste livro fatias de vida cotidiana nos anos do comunismo. Para nós, pessoas do Leste Europeu, foi assim que o comunismo se concretizou. Foi assim que o vivemos, foi assim como o sentimos na própria pele. O esquecimento começou quando da queda do comunismo. Já amadureceram, até hoje, gerações que não têm mais o que esquecer: nasceram em outro mundo, “em um outro planeta”.